As Cores. Elas existem. E estão bem aqui.

Escrito por Bruna S. S. para a Revista PELLICULE

Numa das primeiras cenas do filme “Melancolia”, do Lars Von Trier, a cor verde é permeada por todo ambiente e contrasta com o branco do vestido da mulher semiconsciente, que está rodeada de plantas também verdes, mas elas não exaltam vida. É um verde frio e destruidor.

A capacidade de analisar racionalmente as cores do filme, enquanto o assiste, está além do ser humano. Pelo motivo de que, o público se encontra entrosados e encantados demais com o conteúdo visual. E em estado passível, apenas consumindo a imagem, dado que as cores envolvem e inserem o espectador dentro do contexto. Elas foram propositalmente aplicadas para auxiliar e conduzir a narrativa. A percepção e a reação, a elas, rompem em estímulos fisiológico que afetam o emocional do indivíduo. Caso contrário, os filmes de terror poderiam usar a cor rosa bebê, ao invés do preto, para simular um espaço assustador. Ou usar tons quentes para um filme que se passa na Antártida.  As cores são bem mais complexas do que aparenta. Em função disso, foi criado uma área dentro da psicologia dedicada ao estudo das cores e o impacto que elas têm nos seres humanos. E esse estudo colabora diretamente com aperfeiçoamento da imagem, de um modo geral. Hoje, é quase inimaginável um mundo onde não explore as cores para ludibriar o público. E o mundo cinematográfico faz uso do mesmo apelo.

Antes da escolha das cores que irão compor o filme, há uma minuciosa pesquisa realizada pela direção de arte e fotografia que determinará a personalidade visual do longa. Contudo, o processo de escolha é bem mais complicado, já que, a pesquisa leva em consideração vários fatores determinantes: o gênero do filme, o roteiro, o estilo do diretor-geral, tendências, público alvo, enfim, muitos pontos a serem levados em consideração. Um aspecto importante durante a pré-produção é que, na caracterização da personagem também é dedicado uma paleta de cores para o mesmo. Supondo que a personagem represente o “mal” na história, e que se enquadre no estilo caricato de vilão, logo, sua paleta de cores será assentada na dicotomia de claro-escuro. Ela consistirá apenas em cores puxadas para ausência de branco, e cores que tenham, predominantemente, em sua composição, a cor preta.

Para cineastas com uma sensibilidade altamente apurada, as cores ganham um novo uso e significado em suas mãos. Em alguns filmes, elas não só estão presentes na cena, mas estão expressando o que não é dito em palavras ou gestos corporais. As emoções das personagens ficam sob sua responsabilidade. Em outras situações, dependendo das mentes por trás do projeto, as cores podem ganhar um novo foco e significado dentro do filme. “Kill Bill” dirigido por Quentin Tarantino, é um exemplo visual de como foi “esquecido” a psicologia das cores ao empregar o amarelo nos momentos de vingança e violência no filme. Uma vez que, no ocidente, o amarelo sugere criatividade, positividade e sabedoria.

Elas, as cores, não são tendências, já que sempre estiveram presentes no mundo e também na nossa natureza humana. Elas estão em todos lugares, expressa de várias formas, e com significados distintos. Bem como continuam fortemente presentes nas narrativas dos filmes, e tudo indica que sua presença prorrogará indefinidamente.

Você pode ler a revista completa aqui

Anúncios

Quer deixar um recadinho?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s