Imaturidade

Não é de hoje que tenho reparado na minha estagnação no quesito escrita.

Posso apontar vários incômodos claros nos meus esboços. Um deles é a minha dificuldade em tentar emergir para um campo de visão maior, e não se reduzir apenas ao espaço já conhecido. E, esse é um problema. Zona de conforto. Posso declarar sem constrangimento que sou de certa forma, um tanto egoísta na hora de escrever. Só consigo conceber com autoridade quando o close é em mim mesma. E quando me deparo com uma missão de redigir sobre um assunto fora da minha lista de afinidades gera um certo incomodo. Mas é esse incomodo que preciso. Pode ser controverso, contudo, é prazeroso quando você leva um golpe no cérebro adormecido.

Além da limitação crítica e visual, há também a gramática. Benditas aulas de português que eu ignorava (parcialmente) para ler meus livros best-sellers. Pois é. Me sinto mal por isso. Sinta as consequências. Talvez, você, caro leitor imaginário, sugere que ler mais literatura ajudaria. Sim e não. Leio pouco. Para contabilizar esse “pouco”, digamos que um ou dois livros por mês. Ou menos. Preocupante, não é? Sim, é. Tento ler mais, todavia, minha rotina casa-faculdade-curso-casa-faculdade-curso acaba com minha disposição. E o percurso de um lugar para outro é muito extenso e cansativo (metrôs em horários de pico, só imagina). E o tempinho que tenho acabo trocando os livros clássicos por livros técnicos. Questão de necessidade. Ler ajuda, e muito. Mas não é o fator principal. Uma das deficiências na estrutura da ponte para alcançar uma boa escrita, está na prática. Não tenho hábito de escrever diariamente. Excluindo os trabalhos e provas. Não escrevo com frequência. Fail. Mas praticar também não representa dois terços da pizza. Pode acontecer de você ser enlaçado pelos vícios de linguagem. Ou continuar na mesma técnica, sem tentar renovar.

Nesse lero-lero todo, o que quero dizer é que, além das fragilidades nas estruturas da ponte, há também uma incongruência presa a mim. Como posso escrever um texto relativamente claro e abrangente, se eu, psicologicamente falando, não consegue se ajeitar.  E quanto tento forçar a extrair algo, o resultado é uma página em branco no word ou um conjunto de palavras que, entre si, não dialogam.

Acho que tentar escrever sobre essa perturbação me ajude a tentar buscar uma resolução, ou construir uma. Será um longo caminho, com passos curtos, mas preciso estar consciente que foi um desgaste muito maior aprender a falar.

 

Fotografia: Victoria J Baxter
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