Feliz Desaniversário

Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.
Oscar Wilde

2 de julho. O que mudou exatamente? Bem, algumas células morreram e outras surgiram para substituir-lhes. Mudei os lugares dos livros nas prateleiras. Cortei as unhas. Mais um negrx foi assassinado (Ops! Isso não é mudança). As formigas mudaram de direção. Para onde? Averiguarei logo. Quebrei o meu porta-retratos. Estou 1 ano mais velha. Troquei o lençol da cama por um com estampa das meninas superpoderosas, juro que já terminei a escola. Pois bem, não mudaram muitas coisas. Coisas relevantes.

Nos tempos em que minha pureza infantil justaporia sobre a racionalidade, eu tinha total convicção que no dia do meu nome eventos mágicos e fantasticamente irreais aconteceriam. Como, por exemplo, eu crescer 2 centímetros de altura e a barbie vim me visitar (por favor, não!). Pois é. Imaginar. Era o que gostava de fazer. Às vezes até demais, ao ponto de viver mais no meu mundo armazenado no cérebro do que no exterior. Isso expõe um sentimento algoz. Infelicidade.

Não sei precisamente o que fez suscitar na minha insatisfação perante ao mundo. Talvez tudo (ou nada). Sei que não reagia para alavancar em alguma mudança relevante. Ficava sempre no meu estado de inercia. Isso tudo perdurou até meu ingresso no ensino médio. As coisas mudaram. Conheci pessoas e coisas novas. Novos caminhos foram liberados para mim (ou eu os forcei a abri-los). Lutei para continuar vivendo. Todavia, nem tudo é perene. Voltei a condição de um ser esmorecido. Larguei a labuta. Acomodei-me no meu recinto. Na minha rotina. Na minha existência. Não idealizo mais meus aniversários. Enxergo-os como um desaniversário*, um dia como qualquer outro. Um dia para me abater a culpa de não fazer nada além do rotineiro.

Esse post não é uma narrativa com Introdução, Desenvolvimento e Conclusão. E sim, um recorte do meu diário existencial. Afinal, não se pode dá conclusão a vida se ela nem acabou.

 

Aguardem os próximos episódios.

 

* Palavra criada por Lewis Carroll para o livro Alice Através Do Espelho

Fotografia (editado): Tom Levold
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