Em algum lugar bem longe do Paraíso

“Frases de paz e esperança estavam espalhados pelas paredes. E no chão do quarto: várias garrafas de bebida.”

As lágrimas corriam pelo seu rosto. Os seus olhos estavam vermelhos e os cabelos crespos despenteados. A garota chorava baixinho, como se evitasse fazer barulho para não despertar a escuridão.
Uma pequena lâmpada estava acesa no canto do quarto e havia roupas rasgadas no chão. Livros pichados e bonecas despedaçadas. Em cima da mesinha ao lado da garota tinha um estilete manchado de sangue. A tentativa de suicídio foi falha. O estilete não estava afiado o suficiente.

Do lado do quarto da garota havia o quarto dos seus pais. O som que ouvia de lá era perturbador. Gritos de desespero corriam por toda a casa. O pai da garota estava bêbado, e batia em sua esposa, que segurava com firmeza um crucifixo enquanto emitia gritos de dor. O quarto era decorado com imagens religiosas. Frases de paz e esperança estavam espalhados pelas paredes. E no chão do quarto: várias garrafas de bebida.

Na sala, um garoto escutava no último volume as músicas que passavam na rádio enquanto fumava um cigarro. Ele tentava manter-se concentrado apenas na música, mas os gritos que vinham do quarto o impedia. A sala era decorada com vasos de plantas mortas e sofás abarrotados. A televisão não funcionava mais. A estante portava variedades de bebidas e cigarros. Em cima eram guardados todos os telefones quebrados pelo pai do garoto. Um ato de prevenção caso alguém resolvesse chamar a polícia. Na cozinha um cachorro magrelo farejava em busca da comida que não tinha. O espaço era decorado com um cômodo minúsculo com armários caindo aos pedaços. O fogão perderá sua cor original e fora decorado com ferrugem. A mesa era improvisada, seu suporte era de tijolos e madeira, que, aliás, estava apodrecendo.

A casa foi construída no meio do mato. A cidade mais próxima é a dois quilômetros de distância. A família que habita a casa é simples; eles nunca saem, não possuem amigos nem vizinhos, vivem à sua maneira e possuem problemas de convivência. Nem toda a família é perfeita.

Bruna S. S.

Fotografia: Silvia F.

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